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    Pedra de Clarianã


    MUDANÇA DE ENDEREÇO

    MUDAMOS

        

         Queridos leitores...

         Por conta da acolhida de vocês, o blog Pedra de Clarianã cresceu e não cabe mais na plataforma simples da Uol. Como uma família que aumentou, foi preciso procurar uma casa nova, maior e mais acolhedora. Conto com o apoio de todos para divulgar onde fica a nova morada. Ainda estamos trabalhando na mudança, preparando o local para recebê-los com todo conforto e hospitalidade. Mas já partir de hoje os "causos" serão postados no seguinte endereço:

     http://www.pedradeclariana.blogspot.com/



    Escrito por Flávio às 21h03
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    189 - A COPA DE SHAKIRA

     

    Na última quinta-feira o mundo assistiu ao show de abertura da Copa do Mundo da África do Sul. Na primeira vez que os gramados africanos recebem o famoso torneio, chamou atenção o jeito alegre e irreverente dos anfitriões.

    Em três horas de show, com a apresentação de vários artistas locais e estrangeiros, destacou-se a presença carismática do Prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu. Em seu descontraído discurso, em meio a gritos, o bispo sul-africano com participação histórica na luta conta o regime discriminatório do “apartheid  disse: “Somos todos Africanos...”

    O espetáculo encerrou com a performance da linda artista Shakira. A Colombiana, com sua dança sensual, despertou sentimentos entre os bilhões de expectadores do planeta.  

    Nos últimos momentos do show, eu passava pela portaria do meu trabalho, quando uma servidora, com flagrante inveja da namorada do tenista Nadal, disse:

    - Mas também, essa mulher nem canta, fica só dublando e se rebolando.

    Um colega que apreciava os passos, gestos e rebolados da colombiana, sem desviar o olho do televisor instalado na recepção, disse:

    - Mas a Shakira nem precisa saber cantar. Quem precisa e canta muito bem é Alcione, Ângela Rô Rô...

     

    (imagem Google)



    Escrito por Flávio às 01h22
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    188 - O PREÇO DO PROGRAMA

     

    Há cerca de dois anos o mundo se surpreendeu com a revelação do encontro em um motel entre o famoso jogador Ronaldo e travestis da cidade do Rio de Janeiro.  

    Embora tais relações não devessem mais chocar nem surpreender, pois recorrente e comum desde o início dos tempos, o caso envolvendo o Fenômeno reforçou o debate sobre o tema da homossexualidade.

                Na mesma época, na pequena cidade de Várzea Alegre, no sertão cearense, o irreverente veterinário Hermi Cesar indagou a um conhecido cambista:

                - Cuiú, tão dizendo que tem um baitola da cidade pagando cinqüenta reais por um programa com ele. Você comeria um por cinquenta?

    O bem-humorado vendedor de apostas do Jogo do Bicho, que sempre sofreu com dificuldades financeiras, anotando na pula* os números da milhar apostada pelo veterinário, sem sequer levantar a cabeça, respondeu:

    - Hômi, faz tempo que não pego numa oncinha**. Do jeito que a coisa anda, por cinqüenta tanto eu como, como dou...

     

    * folha da caderneta usada para anotar os números do ‘jogo do bicho’.

    ** Nota de cinqüenta reais que estampa a foto da onça pintada.

    (imagem Google)



    Escrito por Flávio às 00h33
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    187 - "MOITEL"

     

              Em meados do século passado a iniciação sexual dos jovens era bem mais tardia, difícil e arriscada. Além da pouca informação sobre o tema, o mundo ainda não passara pela liberação das últimas décadas, quando surgiram novos e eficientes métodos anticoncepcionais e de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.

              Contam em Várzea Alegre que na década de 1950, um jovem rapaz com os hormônios fervendo, depois de muita insistência, conseguiu marcar um encontro amoroso com uma mulher mais velha e liberada.

              Como ainda não existiam os convenientes motéis, o lugar sugerido pela mulher para as intimidades foi o interior de uma grande roça localizada nas imediações da pequena cidade.

              Assim, no dia marcado, no início da noite, o rapaz se dirigiu ao local indicado. Desajeitado, pulou algumas cercas e atravessou uma mata de jurema e outras árvores espinhosas.

              Ao encontrar a desejada mulher em um pequeno descampado, o jovem, ainda ofegante, com as calças impregnadas de carrapichos foi longo retirando a fivela do cinto e desabotoando os botões da braguilha.

              Contudo, a experiente mulher, com um riso irônico, apresentando desculpa pouco plausível, jogando água fria na quentura do desesperado rapaz, disse:

              - Pera minino, largue de ser avexado. Hoje vim só pra mostrar o lugar.

     

    (imagem Google)

     



    Escrito por Flávio às 00h01
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    186 - PLEONASMO INVERTIDO

     

    No próximo mês de julho completo vinte anos de formado. Em 1990 recebi o diploma de bacharel pela centenária Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará. Naquela época não pressenti a dimensão da conquista nem imaginei a transformação que o curso provocaria em minha vida profissional e pessoal.

      Com o canudo na mão e sem o anel no dedo, viajei logo em seguida até a minha cidade natal, Várzea Alegre, para comemorar a formatura. Ali, certamente em face da minha desenvolvida estatura de pigmeu cearense, familiares e amigos sempre me trataram carinhosamente por Flavin.

    Ao chegar à pequena cidade do interior cearense, recebi o cumprimento de um humilde conterrâneo.

    - Eitafoimado, o fii de Luiz Silvino da Budega agora é dotô Flavin.

    Ciente de que o título de doutor não cabe ao simples bacharel, pouco acostumado à pompa do grau, e percebendo que o tratamento soava meio contraditório, supliquei:

    - Hômi, num carece me chamar assim não. Continua Flavin mesmo. Pois doutor e Flavin não casa direito não. É como mandar subir pra baixo.

     

    (imagem Google)



    Escrito por Flávio às 00h02
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    185 - NOME ESQUECIDO

     

     

     

    Em Várzea Alegre, no sertão cearense, não estranhe nem se espante se cruzar pela Rua com Bodin, Cu, Cuiú, Rabugento, das Cachorras, Agulha, Peixin, Baygon, Priquitinha, Bebe Ovo, Masca Fumo, Muriçoca, Fofão e muitos outros. Todos são simpáticos moradores da cidade e atendem gentilmente por esses apelidos.

    Francisco Ângelo nasceu no sítio Mocotó, zona rural do município, tornou-se motorista profissional, conta hoje com cerca de sessenta anos, porém não adianta procurá-lo por seu nome de batismo e registrado em cartório. Na verdade, todos o tratam por uma diferente alcunha, fato comum nas pequenas cidades do interior do Brasil.

    Quando ainda menino, de família muito humilde, após a missa do domingo Francisco Ângelo pedia esmola na calçada da igreja matriz de São Raimundo Nonato. Certo dia, um paroquiano perguntou:

    - Cadê a lata para juntar as “pratas” da esmola?

    O garoto Francisco Ângelo, ainda com a mão estendida, usando a curta e enrolada expressão que a partir de então substituiu seu nome, respondeu:

    - Misquece.



    Escrito por Flávio às 00h07
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    184 - BANHO QUENTE

     

    No feriadão de Corpus Christi, percorrendo enorme distância entre os Estados do Amapá e o de Goiás, viajei com a família no interesse de conhecer Caldas Novas, chamada “Paraíso das Águas Quentes”. Em 1722 o bandeirante Bartolomeu Bueno Filho descobriu a região já habitada pelos Caipós e Xavantes. Chegou a vez da comitiva Tucuju-Cariri encontrar as águas termais.

             O local atrai pessoas de diversos lugares e idades. O mais jovem e o mais velho turista se divertem juntos mergulhando nas piscinas quentes dos diversos clubes e parques da região. Não bastasse o prazer proporcionado pelo banho, corre ainda a crença de que as águas mornas curam. Não sei se é verdade, mas minha inconveniente bursite no ombro direito não se manifestou durante todo o passeio.

    Se de dia curtíamos os parques, durante a noite caminhávamos pelo movimentado centro da cidade. Em uma dessas noites, depois de curtir o carrossel infantil instalado próximo à Prefeitura, buscamos um lugar para jantar.  As crianças sugeriram a rede de lanchonete Bobs, mas terminamos no Dodys (antigo Papas), restaurante que serve a tradicional comida goiana, instalado na Praça mestre Orlando, próximo à Igreja de Nossa Senhora das Dores. Ali, dentre outros pratos, saboreamos a sugerida e deliciosa “galinhada com piqui”.

    Em todo o roteiro observei a animação das turmas da terceira idade. Durante o dia se divertiam nas piscinas quentes e à noite esquentavam os salões de dança.  Bom saber que, quando atingirmos essa melhor idade, os alegres velhinhos de hoje, como “bandeirantes”, já abriram os caminhos para a nossa geração.

    Nessa época fria do ano a maravilhosa região goiana mistura o clima ameno do balneário Caldas da cearense Barbalha com as águas termais da potiguar Mossoró. No Parque Lagoa Quente, onde há séculos os bandeirantes encontraram um ribeirão com águas quentes, eu relaxava dentro de uma piscina com a água beirando os cinqüenta graus. Em dado momento, um simpático banhista Caldense, com seu sotaque de dupla sertaneja, me alertou:

    -  Môooço,  demore muito ness’água não.

    Eu, inocentemente, perguntei:

    - Pru mode de quê, hômi?

    E o goiano completou:

    - Se ficar muito tempo periga cozinhar os ovo.

     

    (imagem Google)



    Escrito por Flávio às 00h00
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    183 - ENTRADA FRANCA

     

    Meu querido primo Sérgio Ricardo, na década de oitenta, em um fim de tarde, foi até a Farmácia de Raimundin e convidou seu amigo Gean Claude para a festa daquela noite que ocorreria no Clube Recreativo de Várzea Alegre – CREVA.

    Ao receber o convite, Gean disse:

    - Raimundin ainda não fez o pagamento da semana. Pra não variar, tou liso igual muçum*. Não posso ir não, Sergin.

    - Hômi, Gean. Dinheiro não é problema não. Deixe comigo.

    O jovem balconista da farmácia se animou. Seria muito bom participar do baile no tradicional CREVA sem comprometer o seu apertado orçamento. Farmácia fechada, Gean passou rapidamente em casa, tomou um banho completo, vestiu a melhor roupa e saiu ao encontro do amigo.

    A festa já iniciara e os dois decidiram ir direto ao Clube. Enquanto o amigo foi à bilheteria, Gean permaneceu aguardando próximo à entrada. Sergin voltou e tomaram a grande fila para ingressar na concorrida festa. Ao chegar à roleta, Sergin entregou apenas o seu ingresso e falou para o Diretor do CREVA:

    - Seu Chico Progresso, deixe meu amigo Gean entrar. Ele tá sem dinheiro.

    Com a irrecorrível negativa do diretor do clube, Sergin olhou para o decepcionado amigo e se justificou:

    - Você viu , Gean? Eu fiz o que pude.

     

     

    (imagem Google)

    * peixe sem escamas e de pele lisa.

     



    Escrito por Flávio às 00h14
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    182 - A FORÇA DA VERDADE

     

    Há um provérbio francês que diz: apenas a verdade ofende. Outro, iugoslavo, vai mais adiante e aconselha: diga a verdade e saia correndo. Pelas sentenças populares fica claro que o que não somos pouco nos incomoda.

    Meu primo José Costa Neto sofria de um grave problema na visão. Seus óculos eram do tipo “fundo de garrafa”, com mais de dez graus de correção em cada lente. Antes de dormir colocava os óculos embaixo da sua “cama de campanha”. Ao acordar, buscava o pince-nez* tateando o chão.

    Costa, como conhecido, por muitos anos morou em Fortaleza com minha avó Maria Amélia.  Certa noite, na década de setenta, voltava à pé de uma animada tertúlia quando um bêbado lhe abordou pedindo dinheiro. Como não foi atendido, o inconveniente pedinte vociferou:

    - Você é um baitola, ladrão, corno, marginal...

    Costa, impassível, ouvia tranquilo as agressões verbais. Até que o pedinte disse:

    - E também é um cego sem vergonha.

    Nesse momento Costa perdeu a compostura, arregaçou as mangas da camisa e partiu para cima do bêbado, gritando:

    - Cego não. Agora você me ofendeu. 

     

    * palavra francesa  que originalmente significa óculos sem haste em que uma mola prende ao nariz mas usada no Ceará como sinônimo para todos os tipos óculos.

    (imagem Google)



    Escrito por Flávio às 00h01
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    181 - EM RIBA DO MURO

     

     

    Na vida é importante assumir claramente suas posições, mostrar e demonstrar o que pensa.  Mas há inúmeras pessoas que não expressam as suas opiniões. Não se definem e preferem acompanhar tudo de cima do muro.

    Em 1992, dois ex-prefeitos, as duas maiores lideranças políticas de Várzea Alegre - os médicos Iran Costa e Pedro Sátiro - disputaram a eleição para prefeitura da pequena cidade do interior cearense.

    No meio da acirrada campanha, um eleitor chegou à casa de Raimundo Alves Bezerra, conhecido como Raimundo Gibão, e, disse:

    - Seu Raimundo, tou para ficar louco, não sei o que fazer. Devo favor demais a dotô Pêdo e a dotô Iran.  Os dois agora são candidato e eu num sei como resolver. Sou amigo dos dois, gosto dos dois. Que qu’eu faço seu Raimundo? 

    Percebendo que, na verdade, o eleitor temia revelar o candidato preferido, Raimundo Gibão foi curto e grosso:

    - Faça assim, hômi: Dê a bunda a um e vote no ôto!

     

    Colaboração: Antônio Alves de Morais

    (Imagem Google)



    Escrito por Flávio às 00h01
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    180 - POLIGROTA

     

    Eu sempre sofri no aprendizado das línguas estrangeiras. Claro que falta disciplina e perseverança, mas já iniciei o estudo em cursinhos especializados por diversas vezes e não consigo avançar.

    Buscando justificar a acentuada dificuldade com os idiomas, remonto ao período da minha infância, na isolada Várzea Alegre.  Se hoje o inglês controla a internet, fala nos filmes, toca nos videoclips, naquela época era raro o contato do cearense do interior com outra língua.

    Na minha querida cidade natal os velhos rádios só tocavam musicais nacionais. O Cine Alvorada projetava apenas filmes dublados. Era muito mais fácil encontrar um extraterrestre do que um estrangeiro caminhando pelas terras secas do interior cearense.

    Na sala de aula do Centro Educacional São Raimundo Nonato, no antigo primeiro grau, nossa professora Terezinha Rolim se esforçava para ensinar a língua da terra do tio Sam. Numa das lições, a mestre perguntou:

    - Quem sabe traduzir a frase Mary is girl ?

    O irreverente aluno "Airton de Senhor", sem pestanejar, levantou a mão e respondeu:

    - Maria de Zé Miguel.

     

    (imagem Google)



    Escrito por Flávio às 00h21
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    179 - VAMOS DANÇAR ?

     

     

             Brevemente, o cantor e compositor Peninha realiza em Macapá uma apresentação para o dia dos namorados.  O anúncio do show do renomado artista na única capital banhada pelo Rio Amazonas trouxe a lembrança de um episódio acontecido na década de oitenta em Várzea Alegre, pequena e acolhedora cidade do sertão cearense.

             Naquela época, o clube recreativo – CREVA - promovia animados bailes com bandas da região. Eu, como muitos jovens, sempre participava das festas dos sábados à noite.

             Ainda adolescente e tímido, ao som dos conjuntos eu dançava com desenvoltura os ritmos mais animados. Mas quando tocavam as “músicas lentas” me retraía num canto do salão. Mesmo ouvindo baladas românticas de Peninha ou Dalton faltava-me coragem para tirar as belas moças para dançar.

             Em um desses bailes, no intervalo da apresentação da banda Trepidantes, um amigo mais velho e experiente, percebendo minha indisfarçável timidez, resolveu me dar umas dicas:

             - Hômi, só tem um jeito de você não levar fora das meninas. Faça assim. Se aproxime de uma delas e diga: “Se eu chamasse você para dançar essa música você ia?” Se a resposta da pretendente for não, você completa: “É ‘porisso’ que eu nunca chamo você pra dançar”.

     

    (imagem Google)



    Escrito por Flávio às 20h36
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    178 - CHUVA DO CAJU

     

     

     

     

    (imagem Google)

     

     

     

             No segundo semestre, são muito raras as chuvas que caem no solo do sertão nordestino. A terra seca da caatinga sofre por vários meses de estiagem.

     

             Na localidade chamada Gibão, próxima à sede do município cearense de Várzea Alegre, todo fim de tarde, Francisco Alves Bezerra levava seu pai Chico Negão para sentar na calçada da casa. 

     

             O velho sofria com doenças que lhe provocaram a cegueira, mas adorava aquele momento em que sentia a brisa do início da noite e escutava o burburinho das pessoas passando pela estrada vicinal que levava à cidade. Ali, sentado na cadeira de balanço, recordava o tempo em que, manejando o dado, bancara o jogo do caipira no Mercado Velho.

     

             Em certos dias, especialmente na época da Festa de Agosto, o filho, desejando passear pelo arraial de São Raimundo, insistia, em vão, para o pai entrar em casa mais cedo.

     

             Certo ano, lá pelas oito da noite, no final do mês de agosto, em época festiva da cidade, Chico Negão gritou da calçada:

     

             - Meu fii, vem me tirar que tá nebrinando igualzin a onte e anteonte.  Vai cair a chuva do caju. Essa nebrina faz mal a véi.

     

             Francisco, já vestido com roupa nova para passear pelas barracas do arraial, correndo para cozinha com a cuia de água que sapricara em cima do seu pai, respondeu:

     

             - Já tou indo pai. Peraí.

     

     

    Colaboração: Regis Teixeira Leandro

     



    Escrito por Flávio às 06h24
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    177 - PINTANDO O SUL

     

    (imagem Google)

     

     

    O varzealegrense Raimundo Alves Bezerra, o popular João Sem Braço, ainda bem jovem sofreu um grave acidente e perdeu o membro superior esquerdo. Essa deficiência, no entanto, não o impediu de, desde menino, participar de campeonatos de futebol, jogar sinuca, atirar de baladeira e fazer outras presepadas.

    Na década de oitenta seguindo o rumo de muitos outros nordestinos, João Sem Braço, depois de viver em Fortaleza mudando rotineiramente de trabalho, foi embora para São Paulo dizendo que ganharia a vida pelo sul.

    Em São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista onde vive uma enorme colônia de varzealegrenses, o migrante procurou conterrâneos sob o argumento de que precisava da indicação para um trabalho.  

    Na verdade, o maior interesse do irreverente e engraçado João Sem Braço era confraternizar com os amigos que moravam no sudeste brasileiro, pois não costumava demorar em emprego algum.

    Na casa do conterrâneo Moacir de Barela, antigo funcionário da Volks, após almoçar e tomar umas cervejas, o folgado João Sem Braço, com semblante sério, disse:

    - Moacir, arranje um emprego para mim. mais num arrume de pintor  não, pois vai ser complicado eu subir a escada com a lata e o pincel.

     

    Colaboração Régis Teixeira Leandro



    Escrito por Flávio às 08h36
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    176 - O Poder da Cegonha

     

     

     

     (imagem Google)

     

    No início do ano passado, depois de vários meses sem ver Elissandra, reencontrei minha atuante colega que acabara de ter um bebê. Observando-a, convenci-me de que a gravidez e a maternidade deixam as mulheres ainda mais bonitas e exuberantes.  

    Esse encontro com a pernambucana Elissandra me fez lembrar o ocorrido no final da década de noventa na pequena Várzea Alegre.

    Meu tio materno, Antônio Ulisses, na calçada alta do seu escritório, sentado na sua cadeira de balanço, com sua visão crítica e sagaz, observava e tecia comentários sobre todos que caminhavam pela movimentada Rua dos Perus.

    Certa manhã, ali passou rapidamente a odontóloga Bertha Alexandre, em sua primeira aparição após o nascimento de sua filha Isadora. Meu tio, sempre muito observador e perspicaz, ao ver o corpo esguio, a elegância e a beleza da dentista mal saída do resguardo, comentou com seu inseparável amigo e ferreiro Chico Basil:

    - É danado! Bertha tem mininu e num despenteia nem o cabelo.

     



    Escrito por Flávio às 13h31
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