95 - artilharia
O menino que nasceu Raimundo se transformou em João Sem Braço logo após passar pelo infortúnio de perder o membro superior esquerdo em um acidente. Mas a falta do braço não impediu o conhecido varzealegrense de atirar de baladeira, jogar sinuca e realizar com habilidade também outras atividades que exigem a utilização dos dois membros. Em um campeonato realizado na quadra de esportes da Escola Presidente Castelo Branco, João Sem Braço foi escalado para jogar Futebol de Salão, hoje futsal, pelo time de alunos do Colégio São Raimundo Nonato. A equipe até iniciou bem o campeonato, mas, na ultima partida, contra o rival Presidente Castelo, sofreu dois gols ainda no primeiro tempo. Descontrolado, João Sem Braço, para surpresa da torcida nas arquibancadas, passou a chutar contra a baliza defendida pelo goleiro do seu time. Era só a bola chegar aos seus pés que o descontrolado jogador chutava fortemente contra o próprio patrimônio. Depois de sofrer uns cinco gols contra, o técnico finalmente pediu um tempo e, com rispidez, se dirigiu ao seu atleta; - João Sem Braço, você ficou doido? Por que ta só fazendo gol contra? Com seu jeito irreverente, o Jogador apresentou sua justificativa: - Já que vamos perder o campeonato, quero ser pelo menos o artilheiro. Colaboração: Klébia Fiúza
Escrito por Flávio às 01h43
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94 - Comida a Quilo
A maior dificuldade na mesa é manter o equilíbrio entre a qualidade e a quantidade da comida ingerida. Mesmo sabendo que para comer bem não precisa comer muito é difícil se saciar com um simples pratinho de folhas. Em Várzea Alegre, uma boa refeição não dispensa uma grande porção de arroz. Meu tio materno Antônio Ulisses sempre foi um bom garfo e transferiu sem reservas o seu voraz apetite para os filhos Antônio Costa e Dirceu. Há alguns anos, Antônio Ulisses viajou a passeio para Fortaleza e levou seus filhos para a concorrida Praia do Futuro. Na beira do poço, na Barraca do conterrâneo Pedro Bó, Antônio Ulisses resolveu variar o cardápio do sertão e pediu uns caranguejos. Logo que o garçom serviu a comida, Antônio Costa e Dirceuzin, com o apetite ainda mais aguçado, armaram-se com o pedaço de pau para comer os caranguejos. Porém, desconhecendo a técnica do “toc toc” e pouco acostumados com o prato típico do litoral cearense, os meninos se decepcionaram com a dificuldade de encontrar a pouca carne do crustáceo. O esfomeado Dirceuzin, não tendo outra mistura qualquer para encher o bucho, olhou para o seu pai e, com sua voz rouca, disse: - Pai, vai demorar pa nós comer um quilo desse bicho. * colaboração: Hudson Batista Rolim
Escrito por Flávio às 00h49
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93 - O Encontro de Lampião com Seu Abel
 Nascido no sertão do Pajeú, zona rural do atual município de Serra Talhada, estado do Pernambuco, Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, se notabilizou no início do século passado pelas suas ações bandoleiras nas terras secas do nordeste brasileiro. A notoriedade conquistada pelo cangaceiro transformou parte de sua história em grande mistério. Os inúmeros estudos e pesquisas já realizados não lograram provar várias façanhas e atrocidades atribuídas ao “Rei do Gangaço” e seu bando. Alberto Pedro dos Santos, humilde trabalhador conhecido como seu Abel, proprietário da imaginária Pedra de Clarianã, chegou à Várzea Alegre vindo do sertão da Paraíba. Como muitos que viveram na época do cangaço, seu Abel também contava o seu fantasioso encontro com o bando de Lampião e como conseguiu passagem, episódio acontecido numa vereda da caatinga paraibana. - Quem vem lá? De onde vem e para onde vai? – perguntou o temido cangaceiro, . - Me chamo Alberto Pedro Venho do café de Nicola E vou para o outro mundo Se disparar a pistola.
Escrito por Flávio às 20h34
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