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    Pedra de Clarianã


    179 - VAMOS DANÇAR ?

     

     

             Brevemente, o cantor e compositor Peninha realiza em Macapá uma apresentação para o dia dos namorados.  O anúncio do show do renomado artista na única capital banhada pelo Rio Amazonas trouxe a lembrança de um episódio acontecido na década de oitenta em Várzea Alegre, pequena e acolhedora cidade do sertão cearense.

             Naquela época, o clube recreativo – CREVA - promovia animados bailes com bandas da região. Eu, como muitos jovens, sempre participava das festas dos sábados à noite.

             Ainda adolescente e tímido, ao som dos conjuntos eu dançava com desenvoltura os ritmos mais animados. Mas quando tocavam as “músicas lentas” me retraía num canto do salão. Mesmo ouvindo baladas românticas de Peninha ou Dalton faltava-me coragem para tirar as belas moças para dançar.

             Em um desses bailes, no intervalo da apresentação da banda Trepidantes, um amigo mais velho e experiente, percebendo minha indisfarçável timidez, resolveu me dar umas dicas:

             - Hômi, só tem um jeito de você não levar fora das meninas. Faça assim. Se aproxime de uma delas e diga: “Se eu chamasse você para dançar essa música você ia?” Se a resposta da pretendente for não, você completa: “É ‘porisso’ que eu nunca chamo você pra dançar”.

     

    (imagem Google)



    Escrito por Flávio às 20h36
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    178 - CHUVA DO CAJU

     

     

     

     

    (imagem Google)

     

     

     

             No segundo semestre, são muito raras as chuvas que caem no solo do sertão nordestino. A terra seca da caatinga sofre por vários meses de estiagem.

     

             Na localidade chamada Gibão, próxima à sede do município cearense de Várzea Alegre, todo fim de tarde, Francisco Alves Bezerra levava seu pai Chico Negão para sentar na calçada da casa. 

     

             O velho sofria com doenças que lhe provocaram a cegueira, mas adorava aquele momento em que sentia a brisa do início da noite e escutava o burburinho das pessoas passando pela estrada vicinal que levava à cidade. Ali, sentado na cadeira de balanço, recordava o tempo em que, manejando o dado, bancara o jogo do caipira no Mercado Velho.

     

             Em certos dias, especialmente na época da Festa de Agosto, o filho, desejando passear pelo arraial de São Raimundo, insistia, em vão, para o pai entrar em casa mais cedo.

     

             Certo ano, lá pelas oito da noite, no final do mês de agosto, em época festiva da cidade, Chico Negão gritou da calçada:

     

             - Meu fii, vem me tirar que tá nebrinando igualzin a onte e anteonte.  Vai cair a chuva do caju. Essa nebrina faz mal a véi.

     

             Francisco, já vestido com roupa nova para passear pelas barracas do arraial, correndo para cozinha com a cuia de água que sapricara em cima do seu pai, respondeu:

     

             - Já tou indo pai. Peraí.

     

     

    Colaboração: Regis Teixeira Leandro

     



    Escrito por Flávio às 06h24
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    177 - PINTANDO O SUL

     

    (imagem Google)

     

     

    O varzealegrense Raimundo Alves Bezerra, o popular João Sem Braço, ainda bem jovem sofreu um grave acidente e perdeu o membro superior esquerdo. Essa deficiência, no entanto, não o impediu de, desde menino, participar de campeonatos de futebol, jogar sinuca, atirar de baladeira e fazer outras presepadas.

    Na década de oitenta seguindo o rumo de muitos outros nordestinos, João Sem Braço, depois de viver em Fortaleza mudando rotineiramente de trabalho, foi embora para São Paulo dizendo que ganharia a vida pelo sul.

    Em São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista onde vive uma enorme colônia de varzealegrenses, o migrante procurou conterrâneos sob o argumento de que precisava da indicação para um trabalho.  

    Na verdade, o maior interesse do irreverente e engraçado João Sem Braço era confraternizar com os amigos que moravam no sudeste brasileiro, pois não costumava demorar em emprego algum.

    Na casa do conterrâneo Moacir de Barela, antigo funcionário da Volks, após almoçar e tomar umas cervejas, o folgado João Sem Braço, com semblante sério, disse:

    - Moacir, arranje um emprego para mim. mais num arrume de pintor  não, pois vai ser complicado eu subir a escada com a lata e o pincel.

     

    Colaboração Régis Teixeira Leandro



    Escrito por Flávio às 08h36
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    176 - O Poder da Cegonha

     

     

     

     (imagem Google)

     

    No início do ano passado, depois de vários meses sem ver Elissandra, reencontrei minha atuante colega que acabara de ter um bebê. Observando-a, convenci-me de que a gravidez e a maternidade deixam as mulheres ainda mais bonitas e exuberantes.  

    Esse encontro com a pernambucana Elissandra me fez lembrar o ocorrido no final da década de noventa na pequena Várzea Alegre.

    Meu tio materno, Antônio Ulisses, na calçada alta do seu escritório, sentado na sua cadeira de balanço, com sua visão crítica e sagaz, observava e tecia comentários sobre todos que caminhavam pela movimentada Rua dos Perus.

    Certa manhã, ali passou rapidamente a odontóloga Bertha Alexandre, em sua primeira aparição após o nascimento de sua filha Isadora. Meu tio, sempre muito observador e perspicaz, ao ver o corpo esguio, a elegância e a beleza da dentista mal saída do resguardo, comentou com seu inseparável amigo e ferreiro Chico Basil:

    - É danado! Bertha tem mininu e num despenteia nem o cabelo.

     



    Escrito por Flávio às 13h31
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    175 - A GRAÚNA DE OURO

     

     

     

    (imagem Google)

     

     

    Um dia chegou às minhas mãos um livro explicando a origem dos nomes próprios. Em uma ação automática, fui logo à letra “F” e descobri que Flávio, de origem latina, significava "da cor do ouro”. Embora com o cabelo preto que nem “a asa da graúna*”, não posso negar que gostei dessa qualidade aurífera do meu nome.

    Anos antes, na década de setenta, em férias por Fortaleza, assisti na TV preto e branco da minha avó Maria Amélia ao programa do Jornalista Flávio Cavalcante. Lembro que ele, encerrando cada trecho do programa, chamava a propaganda levantando o dedo indicador e falando firmemente:

    - Nossos comerciais, por favor.

    Eu era ainda menino e naquele primeiro momento não gostei do apresentador. Achei aquele homem antipático e arrogante. Numa humilhante atitude, ele quebrava e jogava no lixo o disco diante do cantor convidado ao programa. Imaginei logo que meu nome fosse alguma homenagem ou referência àquele presunçoso jornalista e apresentador de TV.

    Quando retornei a Várzea Alegre, no sertão cearense, abordei meu pai e perguntei:

    - Papai, o senhor escolheu meu nome por causa do apresentador Flávio Cavalcante?

    Meu querido pai acabava chegar da sua budega. Depois de um dia inteiro de balcão, ele, calçando sua confortável chinela japonesa, me olhou e disse:

    - Meu fi, quando você nasceu aqui não tinha nem energia elétrica direito, quanto mais televisão. É que, depois de Tereza Amélia, a gente resolveu dar aos filhos nomes com a letra “F”: Fernando, Flávio e Flaviana. Você não vê que até o cachorro de vocês se chama Flay.

     

    * Ave típica do nordeste brasileiro usada em alegoria do escritor cearense José de Alencar para explicar a cor negra dos cabelos de sua personagem Iracema.

     



    Escrito por Flávio às 21h02
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    174 - NO BANCO DA PRAÇA

     

    (imagem Google)

     

    Na época do estudo primário, aluno do sertão, eu não entendia porque o genuinamente cearense Rio Jaguaribe era definido pelo professor de geografia como o maior Rio Seco do Mundo. Para mim, um rio necessariamente precisaria de água, como sobra no Amazonas, maior rio da terra em volume d’água. Só muitos anos depois compreendi que o mestre se referia à intermitência, à temporariedade, do importante rio cearense.

    Este fim de semana, no banco da Praça Veiga Cabral, no centro de Macapá, próximo à concorrida banca de revistas do Dorimar, reencontrei o pioneiro Ruy Guarany Neves. Nossas conversas navegaram por vários assuntos e descobri que o amapaense do Oiapoque nasceu do inimaginável encontro do Rio Jaguaribe com o Rio Amazonas, pois filho de um cearense do Iguatu com uma paraense do Afuá.

    Seu Ruy me presenteou com o seu livro “O Homem da Fronteira” e me contou interessantes causos acontecidos nas terras tucujus e em outras partes do Brasil. Não lembro como chegamos ao assunto da transamazônica, mas o jornalista e agente de comunicação aposentado lembrou que Jânio Quadros definia essa obra do governo militar como a estrada que ligaria o deserto árido ao deserto úmido.

    Em que pese a ironia do ex-presidente, fiquei com essa definição na cabeça. Só assim descobri porque me identifico e amo tanto esses dois lugares.  As terras secas e áridas do sertão cearense e as terras úmidas da amazônia amapaense são meus desertos favoritos.

     



    Escrito por Flávio às 17h10
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    173 - TIQUE TIQUE NERVOSO

     

     

    Falar bem em público é uma arte admirável. Embora a comunicação oral seja uma ferramenta indispensável em minha atividade profissional, admito limitações no momento de falar em público.

    Não bastassem outras deficiências, um amigo já advertiu que eu puxo a pele do pescoço enquanto palestro.  Um tique nervoso, pois não noto que ajo assim. Afinal quem sofre do problema não percebe o involuntário movimento.

    Certa vez, um colega de repartição da área de tecnologia, com pouca experiência com os microfones, me perguntou como ele havia se saído no dia anterior na apresentação de um trabalho em um concorrido evento público de nosso órgão. Eu, buscando ser o mais sincero possível, disse:

    - Meu amigo, sua apresentação foi maravilhosa. Digna de muitos elogios. Mostrou segurança e conhecimento do tema exposto ao público. Muito boa mesmo. Mas me desculpe observar uma coisa. Você tem uma mania esquisita. Aqui e ali você dá uma coçadinha no saco.

    Com a minha séria e convincente observação o colega entrou em desespero. Sua apresentação fora assistida por inúmeras pessoas, inclusive a cúpula do nosso e de outros órgãos convidados. Imediatamente saiu em direção ao setor de comunicação responsável pela gravação do evento.

    No outro dia, cedo da manhã, ele foi à minha sala, e, antes de cairmos na maior gargalhada, me disse:

    - Eita cearense, você me fez ver horas de gravação. Passei a noite revendo tudo. Não teve nada disso não. Só se era quando eu colocava as mãos no bolso.

     



    Escrito por Flávio às 16h38
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    172 - CORRETOR DE ALGODÃO

     

     

     

    Prosseguindo na atividade do Coronel Dirceu Pimpim, seu avô materno, o cearense Antônio Ulisses trabalhou por muitos anos na corretagem de algodão  e oiticica no antigo prédio de calçada alta localizado no início da Rua dos Perus em Várzea Alegre.

    Comprando o algodão ainda na “folha”, antes da colheita, Antônio Ulisses recebia frequentemente em seu escritório agricultores interessados no negócio. No entanto, como a organização nunca foi o forte do corretor, sempre lhe faltava dinheiro miúdo para antecipar ao agricultor a exata quantia negociada. Para “trocar” o dinheiro se valia do conhecido comerciante e amigo José Gonçalves, Zé Manga Mucha, dono de uma movimentada “bodega” localizada bem próxima ao escritório de compra e venda de algodão.

    Numa dessas oportunidades, no início da década de oitenta, Antônio Ulisses foi procurado por um produtor e negociou a compra de algumas arrobas do ouro branco. No mesmo instante, o corretor chamou o ferreiro Chico Basil  e disse:

    - Chico, vá ali rapidin em Zé Manga Mucha e peça para ele trocar cem mil cruzeiros pra mim.

    O amigo Chico Basil estranhou porque Antônio Ulisses não lhe entregou nenhum dinheiro, mas mesmo assim foi até o comércio. Ao ouvir o recado, com a budega cheia de fregueses, o experiente comerciante Zé Manga Mucha deu o dinheiro trocado ao mensageiro, porém observou:

    - É danado! Eu tou no balcão desde minino. Mas é a primeira vez que troco dinheiro fiado.

     

    Colaboração: Francisco Carlos Pinheiro



    Escrito por Flávio às 05h10
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    171 - PAU-DE-ARARA MODERNO

     

    Desde que, no ano de 1906, em Paris, o brasileiro Santos Dumont apresentou o seu 14 Bis, o homem não mais parou de voar. Com o desenvolvimento da aviação comercial, o transporte aéreo se apresentou inicialmente como uma opção restrita e de luxo.  Pelo seu altíssimo preço, a grande maioria da população não tinha acesso ao meio de deslocamento rápido e eficiente.

    A extensão Brasil e a precariedade de outros meios de transporte fizeram com que a aviação comercial alcançasse uma expansão excepcional no país. O cearense do sertão, que por muitas décadas viajou para o sudeste em desconfortáveis caminhões pau-de-arara, passou a contar com a rápida opção dos aviões.

    Na década de noventa, a varzealegrense Dalva ganhou uma passagem de avião entre Juazeiro do Norte e São Paulo para visitar seus filhos que moram no sudeste. No dia da ansiada viagem, Carlos Leandro da Silva, conhecido como Carlin de Dalva, se encarregou de levar sua querida mãe até a vizinha terra de Padin Ciço. Observando certo nervosismo na turista, Carlin buscou descontrair a passageira de primeira viagem:

    - Mãe, num vá abrir lata de farofa de galinha nem descascar laranja dentro do avião não. Eles dão merenda lá.

    Na despedida, quando sua simples e querida mãe se preparava para entrar na sala de embarque, Carlin exclamou:

    - Mãe, quem já foi avião!!!!!!!!

     



    Escrito por Flávio às 09h09
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